O palco será reformado.

Começou hoje o trabalho de reforma da Pedreira Paulo Leminski e Ópera de Arame.  A DC Set Eventos, que venceu a licitação para administrar por 25 anos os dois espaços e o Parque Náutico do Iguaçu, anunciou que o palco da Pedreira será reinaugurado ainda no primeiro semestre de 2013 com "um grande show".  A empresa anunciou também que serão  criadas ali a Rua da Música, Museu da Música e Espaço Paulo Leminski, um complexo de restaurantes temáticos que será a nova atração turística do local.

Nos anos 50, carroças para puxar as pedras...
Dos anos 1920 ao início dos  1980, as pedreiras eram a principal referência da região do Pilarzinho, Abranches, Vista Alegre. Assim como são hoje os parques criados a partir delas, como o Tanguá, Ópera de Arame, Universidade do Meio Ambiente, Bosque Vista Alegre. As pedras tiradas durante décadas dos enormes paredões estão hoje em milhares de casas, praças e de ruas curitibanas.

A empresa gaucha  DCSet Eventos Ltda é a empresa que irá administrar a Ópera de Arame, Pedreira Paulo Leminski e o Parque Náútico pelos próximos 25 anos. Ela disputa a licitação promovida pela Prefeitura de Curitiba com a paranaense Parnaxx Eventos, venceu as duas primeiras fases do processo e ontem foi anunciada pela comissão licitante como habilitada para reformar e gerir os três cartões postais curitibanos por um quarto de século.  Se em cinco dias, a Parnaxx não entrar com recurso contra o resultado, a DCSet será homologada.

Sem capacetes e de chinelos.

Numa época em que equipamento de segurança era artigo de luxo, trabalhar em pedreira era extremamente perigoso. João Gava Neto, que trabalhou desde criança na pedreira do avô, onde hoje é a Ópera de Arame,  nunca teve um acidente grave, mas presenciou alguns, inclusive com seu pai. Uma vez caiu uma pedra que quebrou o calcanhar do seu José Gava. Outra vez, ele escapou por pouco da morte, quando meia banana de dinamite explodiu quando verificava o porquê do explosivo ter falhado. Foi atingido por estilhaços, mas não se feriu gravemente.

Operários da Pedreira Gava (hoje Ópera) nos anos 50
Trabalhar antigamente nas pedreiras era literalmente “uma pedreira”. Até os anos 50, o transporte era feito em carroças e para quebrar os blocos de pedras eram usadas marretas.  João Gava Neto, que morreu em abril deste ano aos 81 anos de idade, trabalhou ainda criança por um bom tempo na pedreira do avô, que nos anos 90 se tornaria a Ópera de Arame. Em 2010, ele foi entrevistado pelo Do Quintal e contou a sua história:

Quem morou até o final da década de 1970 próximo à pedreira tinha um barulho muito mais potente para incomodá-lo do que o de qualquer banda de rock que já fez show por ali depois dos anos 90. E era um barulho diário...