Golfinho: após glória, fim melancólico.
Entre os anos 1970 e 1980 um clube de natação que funcionava no Pilarzinho fez história na natação brasileira. Criado por um grupo de pais apaixonados pelo esporte, o Clube do Golfinho em pouco tempo virou referência nacional. Chegou ao vice campeonato brasileiro, superando clubes tradicionais como o Minas, o Hebraica e o Vasco da Gama. De suas piscinas saiu o até agora único brasileiro a disputar  cinco Olimpíadas. Mas nos anos 90 ele foi desativado, ficou anos abandonado e no ano passado um grupo de imobiliárias o arrematou em leilão. Mas ainda há tempo para sua estrutura ser resgatada pelo Município e ser transformada num ponto de atendimento à comunidade.


Em dezembro de 2010, quando o jornal Do Quintal reuniu representantes do Pilarzinho e ex-atletas do Clube do Golfinho para reivindicarem que o poder público resgatasse a estrutura da histórica escola de natação, recebemos o apoio de um dos maiores nadadores da história nacional. Rogério Romero, único brasileiro a nadar em cinco olimpíadas, conseguiu seu primeiro índice olímpico nas águas do Clube no Pilarzinho.
Fechado, passou a criar mosquitos...

O Clube do Golfinho, que teve seu auge nos anos 80, quando formou uma leva de campeões que o colocaram entre os principais clubes de natação do País, teve um final melancólico há nove anos. Nos últimos anos em que funcionaram, porém, as piscinas do Golfinho abrigaram um trabalho social exemplar realizado pelo renomado técnico de triatlhon Homero Cachel.

Antes do Clube do Golfinho ser criado, na metade da década de 1970, nenhum nadador paranaense conseguira destaque entre os principais nadadores nacionais. A primeira a realizar a façanha foi Ilana Kriger. Não por acaso, filha de Berek, o mentor do Golfinho. Aos 17 anos, estudando e morando em São Paulo, mas nadando pelo Clube do Pilarzinho, ela bateu o recorde sul-americano dos 200 metros costa.
Quando a menina Ilana entrou na piscina do Minas Tênis Clube, em Belo Horizonte, no dia 3 de fevereiro de 1977...

Doc  com Don McKenzie, Mark Spitz  e Charlie Hickox.  
Em 1976, o recém-inaugurado Clube do Golfinho recebeu a visita de uma lenda viva da natação mundial: James “Doc” Counsilmann, considerado por muitos o maior técnico de natação da história, cujo pupilo mais famoso foi Mark Spitz, o fenômeno que quatro anos antes havia ganho 7 medalhas de ouro nas Olímpiadas de Munique. Naquele ano, a convite do presidente do Golfinho, Berek Kriger, duas fortíssimas equipes norte-americanas de nadadores vieram ao Clube sediado no Pilarzinho para ministrar aulas e participar de competições amistosas com os jovens atletas curitibanos.

Rogério Romero.

Não é preciso ser um grande analista para concluir que o Brasil ainda tem muito a fazer para um dia conseguir ficar pelo menos entre os dez primeiros países em uma Olimpíada. A formação de atletas de alto nível ainda está muito longe, por exemplo, do desempenho do País na economia mundial, onde figura atualmente em sexto lugar.  Formar atletas de ponta não é um trabalho fácil, mas é possível. Um grande exemplo disso foi dado nos anos 70 e 80 do século passado por um clube criado no bairro Pilarzinho, o Golfinho.

As águas do Golfinho foram férteis na criação de campeões. Com o recorde quebrado por Ilana Kriger, em 1977, o clube de Curitiba mostrou ao que veio. Nessa época, com apenas dois anos de sua inauguração oficial, os atletas do clube já detinham a maioria dos recordes paranaenses, 

Antes do Clube do Golfinho, nenhum nadador paranaense tinha conquistado destaque na natação nacional. A primeira a realizar a façanha foi Ilana Kriger. Não por acaso, filha de Berek, o mentor do Golfinho. Aos 17 anos, estudando e morando em São Paulo, mas nadando pelo Golfinho, ela bateu o recorde sul-americano dos 200 metros costa.

Ilana, ao centro, a primeira recordista
sulamericana, entre a irmã Thalma e a mãe Rosa Kriger.

Enquanto o Brasil se prepara para sediar sua primeira Olimpíada, em 2016, uma estrutura que serviu por mais de 20 anos para formar campeões da natação foi esquecida. O Clube do Golfinho,  referência da natação de alto nível dos anos 70 ao final dos 90 do século passado, hoje é um fantasma para os moradores próximos ao antigo número 28 da Rua São Salvador, no bairro Pilarzinho. 

Primeira piscina olímpica do PR

O Pilarzinho tem um patrimônio histórico à espera de a Prefeitura Municipal resgatá-lo, transformá-lo num local de atendimento à população e preservar uma das histórias mais bonitas e exemplares do esporte curitibano. O Clube do Golfinho, criado nos anos 70 pela iniciativa de um grupo de pais de jovens atletas, fez história ao se tornar a primeira escola de natação do País, colocar o Paraná no mapa da natação nacional e abrir o caminho para muitos atletas olímpicos.  Nos últimos anos, suas piscinas a céu aberto, em vez de campeões passaram a ser criadouros de mosquitos. O caso foi levado ao prefeito Luciano Ducci em 2010, e até agora comunidade e ex-atletas aguardam  a desapropriação da área.